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Displasia do Quadril

O que é?
A displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) é o nome utilizado para descrever um espectro de alterações que ocorrem no quadril da criança, não só durante o desenvolvimento do bebê dentro do útero, mas também ao longo do seu desenvolvimento após o nascimento.
 
Qual a causa?
Nós podemos dividir as causas da DDQ em dois tipos básicos: pré-natais (antes de nascer) e pós-natais (após o nascimento).
Durante o desenvolvimento do bebê no útero, diversos fatores podem influenciar o desenvolvimento do quadril. Primeiramente, os hormônios maternos promovem uma importante frouxidão ligamentar no bebê, que só irá diminuir quando ele já tiver seis semanas de vida. Além disso, certos fatores, como ser o primeiro filho (pois o útero ainda é mais apertado), pouco líquido (oligodrâmnio) e apresentação pélvica (o bebê sentado) fazem com o que o bebê tenha dificuldades de se mover dentro do útero, predispondo a este defeito do desenvolvimento.
Ele também é particularmente mais comum em meninas e do lado esquerdo.
Nas causas pós-natais, a influência principal é a posição em que o bebê fica. Se prestar atenção, naturalmente o bebê permanece em posição de “sapinho”: as coxas fletidas e afastadas. Se ele é colocado naquele famoso “charutinho”, ou em carregadores e cadeirinhas que falam com que suas coxas fiquem juntas e esticadas, o seu quadril fica em posição de risco para sair do lugar, e isso compromete seu desenvolvimento.
 
O que a criança sente?
Quando bebê, é muito difícil saber exatamente o que a criança sente. Com menos de três meses, por ter ainda muita frouxidão ligamentar, ainda não há restrição importante de movimentos do quadril. Porém, quando a criança vai ficando mais velha, é notável a dificuldade de abrir a perna afetada para poder trocar a fralda. Na idade em que começa a caminhar, pode-se perceber diferença de comprimento das pernas e uma marcha claudicante, que conhecemos como Trendelemburg. Se houver displasia dos dois lados, porém, pode ser difícil de perceber diferença, pois haverá comprometimento quase igual dos dois lados. A criança apresenta, neste caso, uma marcha como a do atleta olímpico, ou marcha de pato, meio “rebolante”.
Como a criança cresce com isso, o corpo se adapta e geralmente não há dor, mas apenas dificuldades de movimentos.
 
Como diagnosticar?
Ao nascer, todos os bebês passam por uma série de exames. Dentre eles, duas manobras são realizadas de praxe: a manobra de Ortolani e a manobra de Barlow. Em conjunto, ambas permitem que se confirme ou suspeite do diagnóstico de DDQ.
Se o diagnóstico já for definitivo com o exame clínico, a criança começa a ser tratada imediatamente. Se for necessária confirmação, pode ser realizada uma ultrassonografia para crianças mais novas, ou radiografias para crianças mais velhas.
Às vezes, o diagnóstico não é feito ao nascimento. Nestes casos, há outras alterações do exame físico que permitem ao médico diagnosticar, como o sinal de Hart, a linha de Klisic e o teste de Galeazzi. São todas alterações ao exame físico, que podem passar despercebidas por pais e médicos não experientes no manejo da displasia do quadril.
 
Como tratar?
O tratamento é definido por idade e pelas dificuldades encontradas ao longo do tratamento. Em recém-nascidos e crianças de no máximo 4 a 6 meses, é utilizado o suspensório de Pavlik, um aparelho feito de tiras que prendem as pernas da criança e fazem com que a própria gravidade mantenha os quadris no lugar.
Para crianças mais velhas, pode ser necessário o uso do gesso pélvico-podálico, um grande gesso que vai da bacia até os pés. Para colocá-lo, é preciso antes colocar o quadril no lugar, o que pode ser feito através de uma manobra, ou através de uma cirurgia.
Casos mais complexos necessitam de cirurgias progressivamente mais elaboradas, envolvendo desde o corte de tendões, até o corte e ajuste de ossos da bacia e do fêmur.
 
Deve-se realizar ultrassonografia em todos os bebês?
Esta é uma discussão internacional e não há ainda consenso. No entanto, temos percebido que há muitos casos de bebês sem fatores de risco ou sem qualquer sintoma que apresentam displasia do quadril. Não realizar o exame, assim, permite que ocorra a chamada displasia tardia – quando ela é diagnosticada tardiamente, o que pode trazer sérias consequências para a criança.
Considerando isso, eu, como conduta própria, tenho optado por realizar a ultrassonografia em todos os bebês. Quando bem feita e bem avaliada, temos tratado apenas os bebês que realmente precisam.
 
Dupla ou tripla fralda servem para alguma coisa?
Embora muito indicado antigamente, o uso de múltiplas fraldas não ajuda na prevenção ou tratamento da displasia do quadril. Para recém-nascidos, o suspensório de Pavlik é muito mais efetivo.
 
O suspensório de Pavlik pode fazer mal?
Se usado de forma incorreta, sim. Quando o quadril fica fletido excessivamente (ou seja, quando o joelho fica muito próximo do tórax), pode haver compressão de nervos da coxa. Por outro lado, se os quadris ficam muito abduzidos (abertos demais), pode haver comprometimento do suprimento sanguíneo da cabeça do fêmur, comprometendo a viabilidade do quadril.

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